Somos professores ou adversários dos alunos?

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Somos professores ou adversários dos alunos? Você já parou para pensar sobre isso?

Refletindo sobre como foram as aulas que tivemos, boa parte de nós, professores – eu prefiro, ao invés do termo educador – vai dizer que a maioria dos professores que tivemos só nos fez decorar coisas e repeti-las depois. E nós? Estamos reproduzindo repetidores?

Somos professores ou adversários dos alunos?

Quando você estava na sala de aula, na carteira, e não na mesa de professor, como se sentia?

Quais eram as aulas que interessavam a você? Eu respondo: aquelas que o professor era legal, e que as fazia interessantes. Muitas vezes nem gostávamos da matéria, mas o professor fazia com que os momentos na sala fossem tão bons que acabávamos por estudar a matéria.

E hoje, quando vamos para a sala de aula, o que fazemos?

É verdade que as gerações mais jovens tiveram uma criação diferente da nossa. Nós respeitávamos os mais velhos, nossos pais, os professores, policiais… muitos indivíduos das gerações mais jovens parecem não ter recebido, em casa, estes valores. O que fazer, então?

Professores ou adversários?

Neste período em que vivemos, onde o conjunto de valores que recebemos não é compartilhado pelos alunos, o desafio é muito maior. Parece que se trava uma espécie de luta entre professor e alunos. Nossa sociedade encara o professor como a pessoa que está lá para impedir que os jovens sigam em frente nos estudos, reprovando-os.

Briga entre professore e aluno

Parece que só os professores compreendem que nós não reprovamos ninguém, mas os alunos é que reprovam a si mesmos, quando falham na demonstração do conhecimento que deveriam ter, que é o que chamamos de prova ou avaliação.

Mudam leis, aparecem novos sistemas, e a impressão que se tem é que fica cada vez mais difícil trabalhar como professor: não dá para ensinar para quem não quer aprender, não é verdade?

A falha na preparação para enfrentar a tarefa de ensinar

Quando cursamos a graduação, estudamos um sem-número de disciplinas, mas parece que falta algo: aprender como ensinar. Mesmo estudando Didática, metodologia e outras disciplinas – a nomenclatura varia – muitas vezes fazemos o mesmo que fizeram conosco. Até a estrutura de nossas provas são parecidas com as que respondemos no passado, não é verdade?

Nós mesmos já nos perguntamos o que os alunos nos questionam: para que aprender isso? Em que eu vou usar isso na vida? Este é o maior desafio. E também uma das maneiras de despertar o interesse dos alunos. Quando sabemos para que vamos usar algo, nossa atenção e interesse são espontâneos. Então aparece a pergunta que cada professor precisa responder para si mesmo: você sabe para que serve o que você ensina?

O embasamento teórico que quase ninguém entende

O problema, muitas vezes, não está no conteúdo, mas na maneira como ensinamos e na linguagem. Utilizamos materiais que são produzidos como se todos os alunos fossem iguais, se tivessem os mesmos interesses e a mesma interpretação. Basta olharmos para nós mesmos. Se decidimos estudar a famigerada teoria histórico-cultural que, como diz meu amigo, sócio e colega professor Eder Cachoeira, é chata até no nome, nos deparamos com trechos como o seguinte:

Citação Gonzales

Não seria mais fácil explicar cada parte? Dizer que o homem não é só um corpo, e que o que faz de nós humanos é a relação de cada um com o mundo. Que essa relação acontece em um período determinado e, por isso, histórico. Também, que é por meio daquilo que fazemos (atividade) que desenvolvemos nosso conhecimento, nossas habilidades diversas. E ainda, que podemos aferir este conhecimento, percebendo o que sabemos e, a partir do que já sabemos, construir novos conhecimentos (zona de desenvolvimento proximal)?

A linguagem acadêmica é bastante rebuscada, muito bonita, mas só quem está na academia (não é a de ginástica, por favor…) é que a usa. Eu adoro: parte do meu trabalho é revisar textos acadêmicos. O problema é que esta linguagem não serve para usar com o aluno, nem com a maioria dos professores. E o material didático que recebemos tem o mesmo problema: não é escrito na língua do aluno. Nós, professores, precisamos traduzir para eles…

Faça a diferença, sempre!

Mesmo que você seja o professor ou a professora mais legal da sua escola, que os seus alunos aprendam muito e que você esteja orgulhoso ou orgulhosa deles, tenho certeza que você quer sempre melhorar. Também acredito que você quer fazer a diferença na vida dos alunos, mostrando a eles que são capazes e que estudar é, sim, algo divertido e que a gente usa para a vida, o tempo todo.

Temos a impressão que é muito difícil para a maioria das pessoas entenderem que os professores não são adversários dos alunos. Professores são aqueles que estão lá para facilitar o aprendizado. Dizer que estamos lá para ensinar não me parece adequado. Como já mencionei acima.

Não dá para ensinar para quem não quer aprender!

Portanto, como não podemos mudar a mentalidade da maioria das pessoas, ficam os questionamentos:

Somos professores ou adversários dos alunos?

Você, gostaria de ter aulas com um professor como você?

Como citar este e-book em trabalhos acadêmicos, de acordo com as normas da ABNT:

MEDEIROS, Elita. Somos professores ou adversários dos alunos? Plataforma Cultural, 2017. Disponível em: <http://plataformacultural.com.br/professores-ou-adversarios/>. Acesso em: dia, mês com três letras, exceto se for maio e o ano.

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